Fale conosco
 
 
Receba nossos boletins
 
 
 
Artigos


Plinio Corrêa de Oliveira


Cultura e civilização católica, para quê?
 
PUBLICADO POR ARAUTOS - 12/01/2021
 
Decrease Increase
Texto
Solo lectura
0
0
 
A cultura católica eleva o ser humano e lhe confere a capacidade de ter uma visão do universo segundo a doutrina da Igreja, constituindo assim os fundamentos da civilização católica.

Para que ter cultura católica?

Uma alma em estado de graça está de fato na posse, em grau maior ou menor, de todas as virtudes. Dessa forma, iluminada pela Fé, dispõe dos elementos para formar a única visão verdadeira do universo.

cultura e civilização
Época houve em que a sociedade civil,
penetrada pela filosofia do Evangelho,
influenciada pela sabedoria cristã
e pela feliz concórdia entre a Igreja
e o Estado, produziu seus melhores
frutos, superiores a toda expectativa

Nesse sentido, o elemento fundamental da cultura católica é a visão do universo elaborada segundo a doutrina da Igreja. Essa cultura compreende não só a instrução, isto é, a posse dos dados informativos necessários para uma tal elaboração, mas uma análise e uma coordenação desses dados conforme a doutrina católica. Ela não se cinge ao campo teológico, ou filosófico, ou científico, mas abrange todo o saber humano, reflete-se na arte e implica na afirmação de valores que impregnam todos os aspectos da existência (p. 63). Portanto, a cultura católica nos dá a mais alta visão de todas as coisas.

Características da civilização católica

Como definir a civilização católica?

Civilização católica é contudo a estruturação de todas as relações humanas, de todas as instituições humanas, e do próprio Estado, segundo a doutrina da Igreja (p. 63).

Qual a característica fundamental da civilização católica?

Tal ordem de coisas é fundamentalmente sacral, e (…) importa no reconhecimento de todos os poderes da Santa Igreja, e particularmente do Sumo Pontífice: poder direto sobre as coisas espirituais, poder indireto sobre as coisas temporais, enquanto dizem respeito à salvação das almas (pp. 63-64).

Qual a mais alta finalidade da sociedade e do Estado?

O fim da sociedade e do Estado é por certo a vida virtuosa em comum. Ora, as virtudes que o homem é chamado a praticar são as virtudes cristãs, e destas a primeira é o amor de Deus. A sociedade e o Estado têm, pois, um fim sacral (p. 64).

Somente a Igreja deve promover a salvação das almas?

Por certo é à Igreja que pertencem os meios próprios para promover a salvação das almas. Mas a sociedade e o Estado têm meios instrumentais para o mesmo fim, isto
é, meios que, movidos por um agente mais alto, produzem efeito superior a si mesmos (p. 64).

Cultura e civilização por excelência

Algum Papa descreveu a Cristandade medieval?

Na Encíclica Immortale Dei, Leão XIII assim descreveu a Cristandade medieval: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos  Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer” (pp. 59-60).

Leão XIII - cultura e civilização
Papa Leão XIII, autor da
célebre Encíclica
Immortale Dei

Quais são a cultura e a civilização por excelência?

De todos estes dados é fácil inferir com efeito que a cultura e a civilização católica são a cultura por excelência e a civilização por excelência.

Contudo, é preciso acrescentar que não podem existir senão em povos católicos. Realmente, se bem que o homem possa conhecer os princípios da Lei Natural por sua própria razão, não pode um povo, sem o Magistério da Igreja, manter-se duravelmente no conhecimento de todos eles. Assim sendo, um povo que não professe a verdadeira Religião não pode duravelmente praticar todos os Mandamentos.

Portanto, como sem o conhecimento e a observância da Lei de Deus não pode haver ordem cristã, a civilização e a cultura por excelência só são possíveis no grêmio da Santa Igreja (pp. 64-65). (Revista Dr. Plinio, Dezembro/2005, n. 93, p. 14-15)

 
Comentários