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Plinio Corrêa de Oliveira


Janeiro de 1931: Na Academia Jackson de Figueiredo
 
PUBLICADO POR ARAUTOS - 29/01/2020
 
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Em seu caráter de Congregado Presidente da Academia Jackson de Figueiredo, Dr. Plinio se dirige aos membros desta instituição no início de 1931, com uma consideração que, passados exatos 75 anos, conserva hoje sua plena atualidade: para se manter o equilíbrio em nossa existência terrena, importa conhecer o papel do homem dentro da ordem do universo, assim como o papel do sofrimento e da dor na vida humana. Acompanhemos alguns dos trechos mais significativos desse discurso:

Dr. Plinio em 1931

“Não nos diz o Cristianismo que todos os nossos esforços são inúteis, mas sim que, do mesmo modo por que uma pequena chama pode atear um imenso incêndio, uma pequena dose de amor de Deus pode atear no mundo um grande, imenso abrasamento de amor pelo bem. E, como se não bastassem estas afirmações, vem o recurso da graça e da oração, que faz de nós até participantes da onipotência divina! De párias que éramos no paganismo, o Cristianismo nos eleva a príncipes e a gigantes! Que magnífica vida, que estupendo destino.

“[É] preciso compreendermos que, longe de sermos como os pagãos, não devemos fugir ao sacrifício. O paganismo é a caça ao prazer, no fundo do qual só há sacrifício. O Cristianismo é a caça do sacrifício, no fundo do qual há prazer. Mas com a admiração cheia de gratidão e unção religiosa de quem contempla um firmamento fulgurante, inundado de raios de sol que cortam o azul do espaço e despejam sobre o mundo oceanos de luz e de paz. (…)

“Enquanto na concepção pagã da criação somos apenas um pó miserável, perdido na imensidade, na concepção cristã somos uma das partes de um mecanismo quase perfeito, onde cada peça tem sua função, cada elemento seu valor. Uma das mais consoladoras revelações que o Cristianismo veio trazer ao mundo foi a noção exata do homem no universo, na natureza, na humanidade. (…)

“Desde os seus primeiros instantes, vê o homem erguer-se diante de si o espectro da dor. Não há escritor, por mais profundo ou por mais banal, que não tenha descrito, entre atônito e temeroso, o terrível combate entre o homem e a dor. A existência humana nada mais é do que uma luta entre o homem e a dor. Luta trágica, luta terrível, em que a dor sempre vence o homem. (…) E afinal, o que é este espectro da dor, de que tanto fugiam os pagãos e que tanto os perseguia?

“Eis-nos chegados aos alicerces do Cristianismo, eis-nos em face das questões básicas que a filosofia pagã encarou como um tenebroso antro, e a filosofia cristã admirou como quem depara grutas negras de pensamento onde nem os incautos se atrevem a penetrar.

“A [civilização] hodierna se contorce por falta da luz dos verdadeiros princípios do verdadeiro Deus. O desencadeamento das paixões precipitou a humanidade sobre a areia movediça dos prazeres, e milhares e milhares de homens arrastam hoje, como a uma cadeia pesada, a grinalda de rosas de suas vidas de festim. (…) Ao pudor se opõe a luxúria infrene. À honestidade, se substitui a mais torpe ganância. Ao amor se substitui o egoísmo, e à solidariedade se substitui o individualismo. (…)

Temos uma Fé. Temos também um coração. Se queremos ver cessar esse estado de coisas, saibamos sujeitar-nos ao sofrimento, que exige de nós o apostolado. Tirarmos ao Cristianismo o sofrimento é tirar a um corpo a espinha dorsal. (…) Se amamos a Deus sobre todas as coisas, imolemo-nos por Ele. Se amamos ao próximo como a nós mesmos, demos-lhe a Fé, nosso maior tesouro.” (Revista Dr. Plinio, Janeiro/2006, n. 94, p. 5).

 
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