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São Francisco de Paula, Eremita - Data: 02 de Abril 2020
 
 
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São Francisco de Paula nasceu pelo ano de 1416, em Paula, pequena cidade da Calábria. Seus pais, sem serem ricos, encontravam em sua indústria meios de subsistência honesta. Sentiam-se contentes com a situação, por princípio de religião, e não se propunham em todas as suas atitudes outra coisa que o cumprimento da vontade divina.

Viveram vários anos sem filho nenhum. Dirigiram-se a Deus, por intercessão de São Francisco de Assis, para que o Altíssimo lhes concedesse um filho. Ao mesmo tempo, comprometeram-se, por um voto, caso fossem ouvidos, a consagrar o filho ao serviço do Senhor. Seu desejo ardente foi satisfeito: tiveram um filho, pelo nascimento do qual se consideraram pagos por suas orações. Chamaram-no Francisco, no batismo. Tiveram os pais todo o cuidado em inspirar-lhe bem cedo grandes sentimentos de piedade. E tinham o consolo de vê-lo em seus caminhos e ir até mais longe do que devia, em vista da idade. Com efeito, deixou transparecer, desde a infância, muito amor pela oração, pelo retiro e pela mortificação.

Ida para o eremitério de São Francisco de Paula

Atingindo a idade de treze anos, o pai, que se chamava Martotil, colocou-o sob os cuidados dos Franciscanos da pequena cidade de São Marcos. Com esses religiosos aprendeu os princípios das ciências e lançou os fundamentos da vida austera que, desde então, passou a levar. Absteve-se do uso de roupas brancas e não comia carne. Embora não houvesse feito profissão da regra de São Francisco, não deixava de cumpri-la em todos os pontos. Chegava até a acrescentar novas mortificações e dava a todos os religiosos o mais rigoroso exemplo de penitência. Um ano se passou.

O santo pediu aos pais que o acompanhassem nas peregrinações que tencionava fazer a Assis, Roma e Nossa Senhora dos Anjos. De volta a Paula, retirou-se com o consentimento deles para um lugar solitário, bem afastado da cidade natal. Mas, achando que não se encontrava em paz, nem suficientemente separado do bulício do mundo, foi para o lado do mar e cavou uma caverna em um rochedo. Lá se instalou, Tinha, então, apenas quinze anos. Deitava-se sobre a rocha e se alimentava de ervas que colhia nos bosques vizinhos ou do que as almas caridosas lhe traziam de vez em quando.

Duas pessoas piedosas se juntaram ao santo ermitão, que não tinha vinte anos, abraçando o mesmo gênero de vida. Os habitantes das vizinhanças construíram uma cela para cada um e uma capela, onde se reuniam, para cantar os louvores de Deus. Um sacerdote da paróquia rezava para eles a missa. O número dos discípulos de São Francisco de Paula aumentava consideravelmente. Por isso, empreendeu ele, em 1454, com a permissão do arcebispo de Cosenza, a construção de uma igreja e de um mosteiro, no que foi ajudado por pessoas que vinham de todas as partes.

Cada qual se oferecia para trazer os materiais. Houve até pessoas nobres que quiseram trabalhar na obra. Francisco fez diversos milagres nessa ocasião. Um deles foi a cura de uma doença que tinha sido julgada incurável mediante o recurso das forças da natureza. A pessoa em quem o milagre se operou, atestou o fato, sob juramento, no processo de canonização do servo de Deus.

Terminada a construção do mosteiro, o santo nele alojou os discípulos. De início, aplicou-se a estabelecer a regularidade entre eles, e a submetê-los a práticas uniformes. Para ele, não diminuiu as orações e as austeridades. Já não dormia sobre o rochedo, mas a verdade é que não tinha senão uma tábua para deitar-se, quando não dormia no chão mesmo. Uma pedra ou um tronco de árvore lhe servia de travesseiro. Apenas na velhice foi que consentiu em dormir sobre uma esteira. Dormia apenas o necessário e não concedia ao corpo mais descanso do que o estritamente necessário para fazê-lo voltar ao ponto de poder reencetar os exercícios com novo fervor. Tomava apenas uma refeição por dia, à tarde. Comumente, comia pão e tomava água, Algumas vezes passava dois dias sem comer, sobretudo nas vésperas das grandes festas.

Quaresma: importância de viver o tempo de penitência

São Francisco de Paula queria que a caridade, a penitência e a humildade fossem a base de sua regra. Obrigou os discípulos a observar quaresma perpétua e a não fazer uso da carne, dos ovos, do leite, do queijo, da manteiga e das coisas que os antigos cânones interditavam durante a quaresma. A observação dessa rigorosa abstinência pareceu-lhe tão essencial à ordem que fez dela um quarto voto. Tinha por objetivo, com isso, reparar, ao menos por uma espécie de compensação, os abusos aos quais se entregava a maioria dos cristãos durante a quaresma. Lamentava continuamente o relaxamento que se introduzira com relação ao jejum e o afrouxamento que a tibieza forçava a Igreja a tolerar. Esperava que o exemplo de sua ordem fosse uma lição muda, e talvez mais eficaz do que todos os sermões. Tomou a caridade como o lema da ordem. Essa virtude devia ser a alma da comunidade religiosa e o caráter distintivo que deveria unir os membros entre si, que deveria uni-los aos fiéis, por amor à salvação destes.

Entre as virtudes que refulgiam em Francisco, notava-se de modo especial a humildade. Embora fosse distinguido por Papas e por reis, tinha-se na conta do último dos mortais e colocava-se abaixo de todas as criaturas. Chegou até a desejar viver escondido e desconhecido de todos os homens, Sua humildade era tão sólida, que não sabia que a possuía. Quem o ouvisse, teria a impressão de que era um miserável pecador que meditava no Cristo crucificado e que, embora estivesse cheio do espírito de Deus, não via em si senão um abismo de baixeza, um nada. Foi ainda movido por essa virtude que desejou que seus discípulos fosse chamados de Mínimos, como que para acentuar que eram os últimos na casa do Senhor. O superior de cada casa deveria tomar o título de corregedor e deveria lembrar-se de que era o servidor de todos os outros, de acordo com as palavras de Jesus Cristo: "O maior entre vós que se torne menor."

O arcebispo de Cosenza aprovou a nova ordem em 1471. O Papa Sixto IV conformou-a por uma bula datada de 23 de Maio de 1474 e fez de Francisco o superior geral. O santo contava ainda com o pequeno número de clérigos e apenas um sacerdote, entre os discípulos. O sacerdote, Baltasar de Spino, era doutor em direito; tornou-se, mais tarde, confessor do Papa Inocêncio VIII.

Pelo ano de 1576, o santo fundou duas novas casas, uma em Paterno, no golfo de Tarento, outra em Spezza, na diocese de Cozenza.

São Francisco de Paula aconselha a reis e nobres

Três anos depois, passou para a Sicília, onde foi recebido como o anjo do Senhor. Operou nessa ilha várias curas milagrosas e fundou um mosteiro, o qual foi o primeiro de uma série de vários outros. Voltando à Calábria, no ano seguinte, lançou os alicerces de um novo mosteiro, em Corogliano, na diocese de Rosano.

Alguns conselhos dados pelo santo a Fernando, rei de Nápoles, e a dois filhos deste, Afonso, duque da Calábria e João, cardeal de Aragão, valeram-lhe uma perseguição da parte desses príncipes. Frederico, príncipe de Tarento, terceiro filho do rei, não fazia de Francisco a mesma ideia que o pai e os irmãos. Respeitava-o e amava. Fernando procurava, com ansiedade, uma oportunidade para se vingar do santo. Para melhor esconder os motivos que o levavam a agir, alegou que Francisco construíra mosteiros em seu reino, sem que ele, Fernando, houvesse dado o consentimento. Sabendo que Francisco se encontrava em um convento de Paterno, encarregou um capitão de Gales de ir buscá-lo e trazê-lo para as prisões de Nápoles. O oficial partiu imediatamente para executar as ordens do rei. Mas, diante do santo, sentiu-se tocado, por vê-lo tão humilde e disposto a segui-lo, que não ousou fazer nada contra ele. Retornou a Nápoles e defendeu-o tão ardorosamente diante do Rei, que este decidiu deixá-lo em liberdade.

A eminente santidade de Francisco fora ainda revelada aos olhos dos homens pelo dom da profecia. Predisse a tomada de Constantinopla pelos turcos. Vários anos antes que isso acontecesse. Predisse também que os infiéis se apossariam de Otranto, que era como que a chave do reino de Nápoles. Mas, prometeu aos cristãos, sobretudo ao piedoso João, conde de Arena, um dos generais de Fernando, a mudança de situação no ano seguinte. De fato, Otranto foi tomada e os turcos expulsos da Itália. Os prodígios que Deus operava continuamente por meio de seu servo, provocaram admiração por toda a parte.

A regra proposta por São Francisco de Paula não era, no princípio perfeita. Diversas circunstâncias motivaram mudanças indispensáveis. Quando estava pronta para ser apresentada ao Pontífice, Alexandre VI, este a aprovou, o que foi confirmado posteriormente por Júlio II.

Em 1498, Carlos VIII faleceu, sendo sucedido por Luís XII. São Francisco de Paula pediu-lhe permissão para voltar à Itália, no que foi concedido. Mas o rei, pouco depois, cancelou a permissão. Quis o monarca enriquecer o que os predecessores haviam feito pelo santo; cumulou-o de honras e benefícios, bem como aos discípulos e as famílias destes.

Falecimento duplo do grande santo

Advertido por mensagem divina da proximidade da morte, preparou-se para ela com fervor renovado. Encerrou-se na própria cela e lá ficou durante os três últimos meses de vida, e não quis ter mais comunicação com os homens, Durante todo esse tempo não se ocupou de outra coisa que da eternidade. No domingo de Ramos, foi atacado de febre.

Na quinta-feira santa, reuniu os religiosos na sacristia que servia o capítulo, para lhes recomendar o amor a Deus, a caridade entre si e a fidelidade à regra. Depois de confessar-se, recebeu a santa eucaristia, na postura em que nesse dia os membros de sua ordem a recebem, isto é, descalços e com uma corda ao pescoço. No dia seguinte, 2 de Abril de 1508, faleceu. Tinha, então, 91 anos.

Mas, ele "morreu" ainda uma segunda vez: durante as Guerras de Religião na Europa, os protestantes calvinistas, em 1562, invadiram o convento de Plessis, França. Ali estava enterrado o Santo. Então, como ele havia predito, seu corpo, ainda incorrupto, foi tirado do sepulcro e foi queimado com a madeira pertencente a um grande crucifixo da igreja. Ele, praticamente, foi martirizado depois da morte. A glória de São Francisco de Paula permanece até nossos dias, apesar do ódio dos inimigos da fé. E permanecerá para sempre.

Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume VI, p. 26 à 36.
 
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