Dom Bosco queria oferecer aos seus jovens modelos positivos e imitáveis com que despertar em seu coração o enlevo perante a vida, a fim de a enfrentarem com alegria e zelo.
Um deles é São Domingos Sávio, de cuja primeira biografia foi o autor.
Julgamos oportunas as considerações expostas pela ANS (Agência Nacional Salesiana), e por isso transcrevemos abaixo essa meditação para o primeiro dia do tríduo preparatório para a festa do Santo da juventude.
Amor pela Eucaristia
Se um colega meu, da minha idade, no mesmo lugar, exposto aos mesmos, se não maiores, perigos, teve tempo e capacidade de se manter fiel seguidor de Jesus Cristo, por que não poderei eu fazer o mesmo?
Lembrai-vos bem que a verdadeira religião não consiste somente em palavras; é preciso passar às obras.
Se, pois, encontrardes algo digno de admiração, não vos contenteis em dizer: “Bonito, gostei”. Mas: “Quero esforçar-me em fazer o que na leitura me causa admiração”.
Este enlevo, na história de Domingos Sávio, é tipicamente eucarístico e encontra o seu momento de graça no dia da Primeira Comunhão, visto como uma semente que, se cultivada, é fonte de vida alegre e de empenhos decididos:
Esse dia ficou-lhe para sempre gravado na memória, e podemos dizer que foi o início, ou melhor, a continuação de uma vida que poderia ser apontada como modelo de vida cristã.
Alguns anos mais tarde, ao falar da sua Primeira Comunhão, transfigurava-se-lhe o rosto de intensa alegria: Oh! Aquele dia foi para mim o maior, o mais belo dia da minha vida!
Norma de suas ações até o fim da vida
São Domingos Sávio escreveu algumas lembranças que conservava cuidadosamente num livro de devoção e lia-as amiúde:
1. Confessar-me-ei frequentemente e farei a Comunhão todas as vezes que o confessor me der licença.
2. Quero santificar os dias festivos.
3. Os meus amigos serão Jesus e Maria.
4. Antes morrer que pecar.
Tais lembranças por ele muitas vezes repetidas, foram como que a norma de suas ações até o fim da vida.
Apóstolo na congregação salesiana
O encontro pessoal e cotidiano com Jesus na Eucaristia leva São Domingos Sávio a viver o anseio apostólico que Dom Bosco difunde entre os jovenzinhos do oratório e o impele a criar a Companhia da Imaculada, viveiro da futura Congregação Salesiana.
Reprisando o exemplo de Joãozinho Bosco, pequeno apóstolo entre os seus colegas nos Becchi, São Domingos Sávio repete-lhe o zelo e a paixão pela formação dos pequenos nas verdades da fé:
Apenas for clérigo, dizia, irei a Mondonio, reunirei todas as crianças num barracão e hei de ensinar-lhes o catecismo, contar-lhes-ei muitos exemplos e contribuirei para a sua santificação.
Quantos não se descaminham por não terem quem lhes ensine a doutrina cristã!
o que dizia, confirmava-o em seguida com fatos, pois se comprazia, tanto quanto permitiam a idade e a instrução, em dar lições de catecismo na igreja do oratório. E se alguém necessitasse duma aula particular de doutrina, dava-lhe a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana, com o único fito de poder falar de coisas espirituais e de lhe fazer conhecer a importância da salvação da alma.
Ponto culminante desta parábola é como Dom Bosco comunica a Domingos o seu grande anseio pela salvação das almas, a solicitude pelas pessoas que se encontram nas trevas acerca da verdade, que sofrem pela ausência de justiça e de amor, e isto se torna a razão da sua vida:
Certo dia um colega indiscreto tentou interrompê-lo quando estava no recreio a contar um fato:
— Mas que tens tu com isso? - disse-lhe o tal companheiro.
— Que tenho eu com isso? - respondeu – Tenho muito, porque a alma dos meus colegas foi remida pelo Sangue de Jesus Cristo; tenho muito, porque somos todos irmãos e, como tais, devemos amar-nos uns aos outros; tenho muito, porque Deus recomenda que nos ajudemos uns aos outros; tenho muito, porque se chego a salvar uma alma, asseguro também a salvação da minha.
Dom Bosco ficou de tal forma comovido pelo testemunho de Domingos que chegou a confessar: O meu afeto por ele era o de um pai pelo mais digno dos seus filhos.