Cidade do Vaticano (Quinta, 10/12/2008, Gaudium Press) As homenagens da Santa Sé aos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos continuaram na tarde desta quarta-feira. Na Sala Paulo VI, uma celebração solene da contou com a presença do papa Bento XVI.
A celebração aconteceu em dois atos. O primeiro, comemorativo, de reflexão e de estudo, foi presidido pelos cardeais Tarcisio Bertone - secretário de Estado do Vaticano - e Renato Martino, e pelo diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) Juan Somavia.
O segundo ato, um concerto solene dirigido pela compositora espanhola Imma Shara, contou com a participação do Papa. Antes da apresentação, entretanto, foram entregues os prêmios atribuídos em 2008 pela fundação São Mateus, em memória do cardeal vietnamita François Xavier Van Thuan.
Pontos de referência
Em seu discurso, Bento XVI salientou que a Declaração Universal dos Direitos do Homem constitui ainda hoje um altíssimo ponto de referência no diálogo intercultural sobre a liberdade e sobre os direitos do homem. "A dignidade de cada um é garantida verdadeiramente somente quando todos os seus direitos fundamentais são reconhecidos, tutelados e promovidos".
| Bento XVI durante celebração dos Direitos Humanos |
O Papa recordou que a Igreja sempre reafirmou que os direitos fundamentais, apesar das diferentes formulações e dos pesos que possuem nas variadas culturas, são um dado universal, porque estão inscrito na própria natureza do homem. "A lei natural, escrita por Deus na consciência humana, é um denominador comum a todos os homens e a todos os povos; é um guia universal que todos podem conhecer e na base do qual todos podem se entender".
O Santo Padre acrescentou que a celebração dos 60 anos da Declaração constitui uma ocasião para verificar em que medida os ideais que foram aceitos pela maior parte da comunidade das nações em 1948 são ainda hoje respeitados nas várias legislações nacionais e, mais ainda, na consciência dos indivíduos e das coletividades.
"Centenas de milhões de nossos irmãos e irmãs vêem ainda ameaçados os seus direitos à vida, à liberdade, à segurança; nem sempre é respeitada a igualdade entre todos, nem a dignidade de cada um. Enquanto isso, novas
barreiras são erguidas por motivos ligados à raça, à religião, às opiniões políticas ou a outras convicções. Não deve cessar, portanto, o esforço comum em promover e definir melhor os direitos do homem e deve se intensificar o esforço para garantir o seu respeito. Acompanho estes votos com a oração para que Deus, Pai de todos os homens, nos conceda o dom de construir um mundo onde cada ser humano se sinta acolhido com plena dignidade, e onde as relações entre os indivíduos e entre os povos sejam reguladas pelo respeito, pelo diálogo e pela solidariedade", concluiu Bento XVI.