Colombo (Sexta, 13-02-2009, Gaudium Press) Prossegue no Sri Lanka a massiva ofensiva do exército contra os rebeldes separatistas dos Tigres Tâmil. O conflito, que já deixou mais de 35 mil refugiados, fez com que o núncio apostólico de Colombo, país vizinho, se deslocasse até a região para acompanhar os eventos.

A ofensiva já provocou no norte do país uma dramática emergência humanitária, segundo a Cruz Vermelha Internacional. Cerca de 200 mil civis ainda estão presos na zona dos confrontos e bombardeios teriam atingido também hospitais. O último foi ontem à noite, conforme denunciou a Cruz Vermelha Internacional. O exército governamental negou, todavia, qualquer envolvimento na morte de 16 pacientes da estrutura de saúde.

De acordo com o núncio Mario Zenari, "parece que este conflito está no fim. Mas os combates estão terminando de forma muito intensa e cruel, sobretudo para a pobre gente que está presa entre os dois lados. Ainda nesta manhã três religiosas, entre trinta que trabalhavam neste pequeno pedaço de terra, foram feridas. Graças a Deus o estado delas não é grave. Elas foram transportadas por mar a Trinkomali. Nesta região temos ainda cerca de 24 sacerdotes que se encontram com as suas comunidades, presas na área..."

O prelado diz que está tentando atuar junto das autoridades locais a fim de garantir uma maior liberdade das organizações religiosas. Mas ressalva que organismos internacionais também devem atuar para a distensão da crise.

"A comunidade internacional deve pressionar os rebeldes para que pelos menos deixem partir a população presa entre os dois lados. Até agora, em torno de 35 mil são refugiados. Nestes últimos dias, na zona controlada pelo governo, o fluxo parece que está bastante contínuo. Eu tive a oportunidade, domingo passado, de visitar com o bispo dois campos de acolhimento onde se encontram essas pessoas: em geral se tratam de famílias pobres, de pescadores que conseguiram escapar destas zonas de combate"

"É um conflito bastante grande porque se trata de sanar as feridas de 25 anos de guerra. É também um desafio para a Igreja do Sri Lanka, porque ela reúne as duas principais etnias, a cingalesa e a tâmil. O grande desafio da Igreja é unir esses dois grupos. Não é uma tarefa fácil, mas deve ser feita. Devemos atuar na raiz do problema", declarou o núncio.