“Até quando claudicareis entre o bem e o mal?”

O ímpio Acab, avisado de que o profeta se aproximava, foi ao seu encontro e, ao vê-lo, indagou:

“‘Porventura és tu que arruínas Israel?’ Elias respondeu: ‘Não sou eu que arruinei Israel, mas tu e a casa de teu pai, por terdes abandonado os mandamentos do Senhor e seguido os ídolos de Baal’” (I Rs 18, 17-18).

Em seguida, Elias mandou que Acab convocasse o povo de Israel para ir ao Monte Carmelo, juntamente com 850 falsos profetas, dos quais 450 eram de Baal e os restantes de outro ídolo, mantidos por Jezabel.

Causa admiração o fato de Elias enfrentar, sem armas e sem defensores, o tirano de Israel, os falsos profetas e o povo idólatra!

Estando reunidos no Monte Carmelo – situado às margens do Mar Mediterrâneo –, Acab, os 450 falsos profetas de Baal e o povo, Elias invectivou este último: “‘Até quando andareis mancando de um lado e de outro? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-O; mas, se é Baal, segui a ele’. O povo ficou calado”. (I Rs 18, 21)

Vemos como Elias era um varão íntegro, que não admitia a atitude daqueles que claudicam entre o bem e o mal.

E acrescentou:

Eu sou o único profeta do Senhor que resta, ao passo que os profetas de Baal são 450.

Que nos deem dois novilhos. Escolham eles um novilho e, depois de cortá-lo em pedaços, o coloquem sobre a lenha, sem pôr fogo por baixo. Eu prepararei depois o outro novilho e o colocarei sobre a lenha, e tampouco lhe porei fogo.

Em seguida, invocareis o nome de vosso deus e eu invocarei o nome do Senhor. O deus que ouvir, enviando fogo, este é o Deus verdadeiro (I Rs 18, 22-24).

Deus Se ri do homem ímpio

O povo gostou da proposta e Elias ordenou que os profetas de Baal começassem pela manhã.

Eles tomaram um novilho, prepararam-no, iniciaram suas invocações e dançavam ao redor do altar que tinham levantado; danças “provavelmente impudicas, pois Baal era o deus da imoralidade e da imundície”.

Ao meio-dia, Elias zombou deles, dizendo: “Gritai mais alto, pois, sendo deus, pode estar ocupado. Porventura ausentou-se ou está de viagem; ou talvez esteja dormindo e seja preciso acordá-lo”.

Então eles gritavam ainda mais forte e retalhavam-se, segundo o seu costume, com espadas e lanças, até o sangue escorrer (I Rs 18, 27).

A atitude de Elias, zombando dos falsos profetas, se coaduna com a do próprio Deus, que “Se ri do ímpio, pois sabe que está chegando o seu dia” (Sl 37, 13).

O profeta acreditava firmemente que se aproximava o fim dos falsos profetas de Baal.

Entardecendo, Elias tomou doze pedras, simbolizando as tribos de Israel, e com elas reedificou o altar de Deus que tinha sido demolido, e em torno do mesmo fez um valo.

Em cima do altar, colocou lenha e, sobre esta, um novilho que ele esquartejara. Ordenou que derramassem água sobre as carnes do novilho e a lenha; mandou que isso fosse repetido por mais duas vezes, de modo que “a água correu em volta do altar e o rego ficou completamente cheio” (I Rs 18, 35).

Depois, o profeta orou pedindo a Deus que lançasse o fogo e convertesse o povo.

Consideremos a majestade da hora da invocação de Elias! Homem venerável, já com a barba branca, provavelmente com uma túnica alva que lhe ia até os pés, ele reza ao Senhor, pedindo que afinal viesse o fogo do céu para provar ser Ele o verdadeiro Deus.

“Então caiu o fogo do Senhor, que devorou o holocausto, a lenha, as pedras e a poeira, e secou a água que estava no rego” (I Rs 18, 38).

Podemos imaginar um fogo lindíssimo com labaredas entre azul e vermelho, que desciam do céu e penetravam na carne daquele boi […]; à medida que o fogo descia, Elias se tornava mais majestoso e grandioso…

Vendo tão grande maravilha, o povo se prosternou com o rosto em terra, exclamando que Elias estava com o verdadeiro Deus.

Então o profeta logo ordenou: “‘Prendei os profetas de Baal e que nenhum deles escape!’ Eles os prenderam, e Elias levou-os à torrente do Quison, onde os matou” (I Rs 18, 40).

A ação do profeta de Deus era expressamente exigida pela Lei (cf. Dt 13, 13-16).

A nuvenzinha prefigura Nossa Senhora

A fim de pedir a Deus que cessasse a seca que devastava o país, Elias, acompanhado de seu servo, subiu até o cume do Monte Carmelo, sentou-se sobre uma pedra, colocou o rosto entre os joelhos, rezou e disse ao criado que subisse um pouco mais e observasse na direção do mar.

O servidor observou e declarou que não havia nada. O profeta mandou que ele voltasse a olhar por mais seis vezes.

Na sétima vez, o criado afirmou: “Eis que sobe do mar uma nuvem, pequena como a mão de um homem” (I Rs 18, 44).

Então, Elias mandou seu servo dizer a Acab que voltasse depressa para sua casa para que a chuva não o detivesse. O rei subiu em seu carro e zarpou para Jezrael. Mas Elias “correu adiante de Acab até a entrada de Jezrael” (I Rs 18, 46), cidade na qual o rei possuía seu palácio (cf. I Rs 21, 1).

E choveu torrencialmente…

Segundo uma longa tradição na Igreja, aquela nuvenzinha, prenunciadora da chuva, prefigurava a Santíssima Virgem. No Novo Testamento, Ela faria “chover” sobre a humanidade o Redentor e, depois, as graças obtidas por sua intercessão.

O profeta Elias é considerado seu primeiro devoto.