Os meios de comunicação social ocuparam-se nesses dias de um antigo texto manuscrito em língua copta, encontrado na Suíça em 1983, que corresponderia a um suposto “Evangelho de Judas”.

Com o objetivo de esclarecer dúvidas e responder a muitas interrogações, torna-se oportuno dar algumas orientações.

Sempre se soube da existência de evangelhos apócrifos – ou seja, não inspirados, porque não contêm a verdade acerca da Revelação de Deus e seu desejo de salvação para a humanidade – e desde sempre eles foram rejeitados pelo conjunto da comunidade cristã, por serem incompatíveis com a Fé.

A Igreja nunca ocultou ou negou a existência de tais documentos. (…)

Alguns desses evangelhos apócrifos pertencem a seitas gnósticas, como a dos cainitas, cujo principal objetivo era reabilitar figuras do Antigo e do Novo Testamento que caíram na maldade, como Caim (que matou seu irmão Abel) e Judas (que traiu Jesus).

Os gnósticos afirmavam que se consegue a salvação por meio do conhecimento de Deus, não por obra do amor e da misericórdia de Deus, o qual enviou ao mundo seu Filho Jesus.

A principal diferença entre os gnósticos e os cristãos está em sua concepção sobre a origem do mal no mundo. Nós, cristãos, cremos em um Deus bom que criou um mundo bom. Os gnósticos creem em um Deus que criou o mal e criou o mundo de maneira desordenada.

Nós, cristãos, cremos que o mal nasce a partir do mau exercício da liberdade com a qual Deus nos criou, porque Deus sempre respeita nossa liberdade. Os gnósticos afirmam que Deus quer o mal no mundo e isso explica a ação dos homens maus, como Caim ou Judas. (…)

Qual é a única fonte segura para conhecer a obra, as ações e o ensinamento de Jesus? Só os Evangelhos são considerados como obras inspiradas por Deus, e se lhes reconhece uma autoridade especial. Referimo-nos aos textos de Marcos, Mateus, Lucas e João. (…)

É muito significativo e até emocionante ver que a Pessoa de Jesus, Redentor e Salvador da humanidade, é motivo de uma “profunda fascinação”, mesmo para os que n’Ele não creem, O rejeitam ou querem desprestigiar sua figura e sua mensagem.

Jesus não deixa ninguém indiferente. Para nós, que temos o dom da Fé, é o Único Salvador da História. Que devemos fazer nós, discípulos de Cristo? Renovar nossa Fé e nosso amor a Jesus, Redentor da humanidade.

Aprofundar o fundamento histórico de nossa Fé cristã, para não nos deixarmos surpreender por falsificadores de todo tipo, como adverte a Sagrada Escritura: “Guardai-vos dos falsos profetas” (Mt 7, 15). 

 

Bispo de Rancágua, Presidente da CEC – Chile.