“A paz esteja convosco!” Esta saudação do Senhor é uma ponte que Ele lança entre Céu e terra. Ele desce por esta ponte até nós e podemos subir, por esta ponte de paz, até Ele.
Nesta ponte, sempre juntamente com Ele, também devemos alcançar o próximo, alcançar aquele que tem necessidade de nós.
À saudação de paz do Senhor seguem-se dois gestos decisivos para o Pentecostes: Ele deseja que a sua missão continue nos discípulos – “Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21).
Depois disto, sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20, 23).
Com o seu sopro, com o dom do Espírito Santo, o Senhor relaciona o poder de perdoar. Jesus pode conceder o perdão e o poder de perdoar, porque Ele mesmo sofreu as consequências da culpa e dissolveu-as na chama do seu amor.
O perdão vem da Cruz; ele transforma o mundo com o amor que se doa. O seu coração aberto na Cruz é a porta pela qual entra no mundo a graça do perdão. E unicamente esta graça pode transformar o mundo e edificar a paz.
O Senhor vos confia o mistério da Eucaristia
Queridos ordenandos! A mensagem de Pentecostes dirige-se agora diretamente a vós.
A cena de Pentecostes do Evangelho de João fala a vós e de vós. A cada um de vós, de modo muito pessoal, o Senhor diz: “Paz a vós! Paz a ti!” Quando o Senhor diz isto, não doa uma coisa qualquer, mas doa-se a Si próprio. De fato, Ele mesmo é a paz.
Nesta saudação do Senhor, podemos entrever também uma referência ao grande mistério da Fé, à Santa Eucaristia, na qual Ele se doa a nós continuamente e, desta forma, doa a verdadeira paz.
Esta saudação situa-se, assim, no centro da vossa missão sacerdotal: o Senhor confia-vos o mistério deste Sacramento.
No seu nome vós podeis dizer: “Este é o meu Corpo. Este é o meu Sangue”. Deixai-vos atrair sempre de novo pela Santa Eucaristia, pela comunhão de vida com Cristo.
Considerai como centro de cada um dos vossos dias poder celebrá-la de modo digno. Conduzi os homens sempre de novo a este mistério. Ajudai-os, a partir dela, a levar a paz de Cristo ao mundo.
Uma missão: levar a todos a alegria de Cristo
Ressoa depois, no Evangelho que acabamos de escutar, uma segunda palavra do Ressuscitado: “Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21). Cristo diz isto, de modo muito pessoal, a cada um de vós.
Com a ordenação sacerdotal vos inseristes na missão dos Apóstolos. Através deste ministério, sois inseridos na grande multidão dos que, a partir de Pentecostes, receberam a missão apostólica.
Vós sois inseridos na comunhão do presbitério, na comunhão com o Bispo e com o Sucessor de São Pedro, que aqui em Roma é também o vosso Bispo.
Todos nós somos inseridos na rede da obediência à palavra de Cristo, à palavra d’Aquele que dá a verdadeira liberdade, porque nos conduz nos espaços livres e nos horizontes amplos da verdade.
Precisamente neste vínculo comum com o Senhor podemos e devemos viver o dinamismo do Espírito.
Como o Senhor saiu do Pai e nos doou luz, vida e amor, assim a missão deve continuamente nos pôr em movimento, nos tornar zelosos de levar a quem sofre, a quem está em dúvida, e também a quem hesita, a alegria de Cristo.
A Confissão, precioso tesouro da Igreja
Por fim, há o poder do perdão. O Sacramento da Penitência é um dos tesouros preciosos da Igreja, porque só no perdão se realiza a verdadeira renovação do mundo. Nada pode melhorar no mundo, se o mal não for vencido.
E o mal não pode ser vencido a não ser com o perdão. Sem dúvida, deve ser um perdão eficaz. Mas este perdão, só o Senhor o pode dar. Um perdão que não afasta o mal somente com palavras, mas o destrói de fato.
Isto não se realiza sem o sofrimento, e aconteceu realmente com o amor sofredor de Cristo, do qual haurimos o poder do perdão.
Por fim, queridos ordenandos, recomendo-vos o amor à Mãe do Senhor. Fazei como São João, que A acolheu no íntimo de seu coração.
Deixai-vos renovar continuamente pelo seu amor materno. Aprendei d’Ela a amar Cristo. O Senhor abençoe o vosso caminho sacerdotal!
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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