As verdades mais fundamentais são, com frequência, as mais puras, luminosas e edificantes. Elas participam da simplicidade de Deus – plenitude e fonte de toda verdade – e, por isso mesmo, encerram imensas profundidades, capazes de nutrir nossa vida espiritual e moral.
“Viver é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”,1 afirmava Dona Lucilia, mãe de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira. Essas palavras, embora singelas, tocam na essência da contemplação e abrem uma porta para o mistério da oração.
Viver é estar com quem amamos; rezar é conviver amorosamente com Deus: “A oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa”.2
Certa vez, como lemos no Evangelho deste domingo, um discípulo pediu ao Salvador: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11, 1). Uma palavra, na resposta de Jesus, transformou para sempre o modo de nos dirigirmos ao Criador: “Pai”.
Quanta riqueza nesta revelação: Deus é nosso Pai! E, por vontade d’Ele, Maria é nossa Mãe! Somos seus filhos pelo dom da graça e nossas orações devem, pois, brotar de uma confiança filial, íntima e reverente.
Conforme nos prometeu o Divino Mestre, sempre seremos atendidos: “Quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá” (Lc 11, 10).
Há, entretanto, uma condição: apresentar a Deus nossas súplicas com fé, humildade e perseverança, ordenando tudo à sua glória e à nossa salvação.
Mas a bondade de Deus, ao nos tornar filhos e acolher nossas súplicas, exige correspondência. Amor com amor se paga. E amar implica viver retamente e repudiar tudo quanto conduz à catástrofe de perder a graça: seduções do demônio, atrações do mundo e desordens da carne.
Quem peca gravemente abandona o estado de filho de Deus, irmão de Cristo e herdeiro do Céu, e se faz escravo de Satanás, partidário dos réprobos e réu do inferno, enquanto não se arrepende e confessa suas culpas. De outra parte, quando trilhamos as vias da virtude nosso amor é recompensado com Amor: o Espírito Santo, dom por excelência (cf. Lc 11, 13).
Para Santa Teresa de Jesus, o coração da vida espiritual está na oração. Com sabedoria mística, ela a descreve também como um convívio enraizado na caridade: “A oração mental nada mais é que ter um trato de amizade, estando muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama”.3
Muito além da recitação de fórmulas, consiste numa relação viva, na qual somos transformados interiormente. O convívio diário e frequente intensifica a amizade. Não precisamos de complicados discursos. Basta saber-nos amados… e respondermos com amor.
À luz do exemplo dos Santos e das almas puras, podemos concluir que só o convívio com Deus aperfeiçoará plenamente nossa vida espiritual. “Viver é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”, eis o objeto de nossa felicidade no Céu, já iniciado na terra por meio da oração.
“Na visão beatífica”, afirma Mons. João,
em meio à felicidade de conviver com o Senhor, viveremos em oração, pois ela consiste na elevação da mente a Deus. E rezar no tempo é o melhor caminho para estar em oração por toda a eternidade.4
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas