Paráclito havia Se unido a Maria de maneira tão íntima e profunda que ambos formavam, por assim dizer, um só espírito: o Consolador tudo realizava por meio de sua Esposa e em seu interior gerava todas as graças. Mas era preciso que Nossa Senhora fosse como que introduzida no seio da Santíssima Trindade a fim de, daí em diante, atuar com a força e a intensidade das Três Pessoas Divinas, para o benefício da Igreja. Isso só seria possível através do Espírito Santo, pois o vínculo existente entre os dois Lhe comunicava todos os direitos de seu Esposo místico, permitindo-Lhe agir em nome d’Ele e com seu mesmo poder.
O desponsório espiritual realizado na Anunciação já outorgara à Virgem esse dom, mas, em atenção à missão de Jesus, ele se manteve oculto no seu Coração. Em Pentecostes a força divina que ali palpitava desabrochou e se expandiu para o Colégio Apostólico, e todos passaram a participar dos dons, virtudes e carismas da alma de Nossa Senhora; em suma, tornaram-se um desdobramento d’Ela para o mundo. E, como eles renasceram no Coração de Maria pela ação do Espírito Santo, sua missão ficou ligada a Ela para sempre.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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