Deus tem um segredo imenso, que se resume em um nome: Maria. Esse é o segredo pelo qual o Senhor quis realizar suas mais portentosas obras.
Nossa Senhora é o pórtico grandioso do qual jorrou todo o amor da Trindade sobre a criação.
Por Ela o Verbo Eterno, em quem habita “a plenitude da divindade” (Col 2, 9), fez-Se Homem, elevando-A, pelo privilégio da Maternidade Divina, ao plano da união hipostática de modo relativo, muito acima dos Anjos e da graça.
Ela estava na mente de Deus desde antes dos séculos, num só pensamento junto com Jesus Cristo, pois era inconcebível o Filho Humanado sem o mistério da Virgem Mãe.
Em função da Santíssima Virgem, Deus criou todos os seres.
As estrelas e o mar, o fogo esplêndido dos querubins ou as areias sem-número dos desertos, o voo da águia e os maiores atos de heroísmo: tudo isso canta, de alguma forma, as grandezas d’Aquela que é a matriz da ordem do universo.
Homens e Anjos serão julgados, portanto, conforme se assemelhem a Maria; Ela é o Livro da Vida.
Mas a Mãe de Jesus é também o eixo da História. Já nos primórdios da obra dos seis dias, a prova dos Anjos consistiu em curvar-se em adoração perante Deus feito Homem, nascido de uma pura criatura humana: Maria.1
Espíritos elevadíssimos, superiores em natureza, deveriam obedecer a uma simples mortal. Os Anjos orgulhosos se revoltaram e foram escorraçados do Paraíso.
E assim, antes mesmo de existir no tempo, Nossa Senhora foi a espada que “separou a luz das trevas” (Gn 1, 4) na aurora da criação.
Eis o segredo de Deus. Eis Maria.
Mas, se esse é o segredo do Eterno, qual é o segredo de sua Filha, Mãe e Esposa? O que A tornou a bem-amada na qual o Onipotente como que “esgotou” sua capacidade criadora,2 fazendo-A a mais perfeita e insuperável das meras criaturas?
Algo da resposta a essa pergunta encontramos na definição que Nossa Senhora deu de Si mesma: “Eis aqui a escrava do Senhor” (Lc 1, 38). Tal auge de esplendor só poderia existir numa alma que guardava o auge da humildade e da servidão.
E neste ponto surge o nosso segredo, que, como o de Deus, também se chama Maria. Só nessa posição de humildade e escravidão de amor poderemos considerar a Rainha do Universo em sua devida grandeza.
Não nos conformemos com horizontes mesquinhos! Abramo-nos ao Segredo de Maria que se insinuará3, ao longo das páginas desta edição, ao nosso espírito.
“Feliz”, exclama São Luís Grignion de Montfort, “e mil vezes feliz a alma à qual, aqui na terra, o Espírito Santo revela o segredo de Maria!”